Jejum no esporte faz bem?
Laboratório ≠ linha de chegada: limitações de método que ‘achatam’ a necessidade de carboidrato
Tese (TL;DR): muito do efeito “doses baixas bastam” nasce de modelos experimentais que não refletem corrida/ciclismo em prova: jejum prévio, intensidades moderadas (60–65% VO₂max), testes até a exaustão em vez de time-trial, e amostras pequenas. Esses desenhos super-valorizam o papel da glicemia e sub-estimam o benefício de doses altas quando o objetivo é andar mais forte por mais tempo.
Como o próprio review descreve o modelo que detecta efeito de CHO:
- “O modelo para mostrar efeito de CHO… exercício prolongado de relativa alta intensidade, especialmente com jejum prévio para reduzir glicogênio hepático.” Ou seja: cria-se o cenário perfeito para EIH — e então se mostra que pouca glicose resolve. Isso não espelha rotina de prova bem alimentada.
Por que TT/real-world mudam a leitura:
- Em TTs/provas, a métrica é trabalho externo (tempo/potência/pace), não “tempo até cansar”. Em múltiplos estudos citados, carbo em maior dose melhora TTs, inclusive com combinações multi-transportáveis.
- Treino de intestino aumenta tolerância e disponibilidade de CHO — uma nuance prática que o review minimiza ao chamar de “post hoc”, mas que, no campo, muda o jogo.
Resumo prático: se você não chega em prova jejuado e sim disputa em intensidade competitiva, os mesmos modelos que “provam” 15–30 g/h não traduzem sua realidade. Para performar, mire ≥60–90 g/h (e, para ultras ou maratona competitiva, considerar ~90–120 g/h com GI treinado).
https://academic.oup.com/edrv/advance-article/doi/10.1210/endrev/bnaf038/8432248?login=false