Lobo em pele de cordeiro? Quem está por trás do low carb?

Quem escreve importa: vieses, disclosures e a narrativa ‘anti-carbo alto

Tese (TL;DR): os autores principais são nomes influentes do low-carb/ketogênico. Isso não invalida seus dados, mas contextualiza a leitura e ajuda a entender por que o foco do artigo é EIH e por que relegam glicogênio muscular. Transparência: o próprio paper lista conflitos/divulgações.

Autores (perfil resumido):

  • Timothy Noakes — defensor histórico de paradigmas centrados em regulação central e defesa à dieta low-carb; coautor de livros sobre o tema.
  • Jeff S. Volek — pesquisador de low-carb/cetogênica, cofundador de iniciativas na área.
  • Dominic D’Agostino — pesquisador de cetonas/exógenas, inventor de patentes em cetonas.
  • Andrew Koutnik — pesquisador em metabolismo/ketones.
  • Patrick J. Prins — autor principal em estudos de low-CHO vs high-CHO/triathlon.

Disclosures no artigo (seleção): autores declaram livros de low-carb, patentes e consultorias em cetonas, vínculos com empresas/organizações do setor. Isso não invalida a revisão, mas sinaliza um prior interpretativo pró-low-CHO/EIH.

Narrativa central e seu limite para performance:

  • O review coloca EIH como determinante central da fadiga; quando a glicose cai, há redução do drive central motor — logo, “basta” pouco CHO para manter a BG.
  • Em paralelo, argumenta que as recomendações altas (60–90–120 g/h) “subiram sem provas biológicas claras”. Contudo, o mesmo corpo de referências inclui meta-análises e estudos de TT que mostram benefício ergogênico de CHO agudo e de doses altas em contextos certos.

Conclusão: para saúde e para treinos fáceis, prevenir EIH com pouca ingestão pode bastar. Para ganhar prova, bater RP ou sustentar potência/pace por horas, a prática e a literatura de TT citada no próprio review favorecem misturas de carbo em doses altas com GI treinado — muito além de 15–30 g/h.