Não caia no conto do low carb

15 g/h não bastam: por que atletas de endurance performam melhor com doses altas de carboidrato

Tese (TL;DR): o estudo revê a literatura e sugere que prevenir hipoglicemia (EIH) com doses baixas (~10–30 g/h) já “resolve” a fadiga.

Vamos pelo inicio. Isso não é suficiente para atletas de alto rendimento: em prova real, manter potência/pace por horas requer altas taxas de oxidação de CHO, viabilizadas por 60–90+ g/h de misturas glicose+frutose, com ganhos de desempenho e recuperação observados em TTs e provas de trilha/montanha.

O que o estudo diz:

  • Reinterpreta a fadiga como consequência principal de EIH (baixa de glicose sanguínea por falha do fígado), e não depletar glicogênio muscular; afirma que doses baixas já estabilizam a glicemia e que não há dose–resposta clara acima de 15–30 g/h.bnaf038bnaf038

Por que isso não se aplica ao alto rendimento:

  • Prova não é laboratório: atletas de performance correm/coram em intensidades altas e estáveis, exigindo fluxo de carboidrato exógeno elevado para sustentar a taxa de trabalho e poupar glicogênio muscular — algo que vai além de “evitar EIH”. O próprio review reconhece que a eficácia cresce com a duração e que, em análises, não treinar o gut pode mascarar o benefício de doses altas, embora os autores descartem isso como “racionalização post hoc”.bnaf038

O que a evidência de performance mostra (no próprio corpus que o paper cita):

  • Relação curvilinear dose–resposta até ~120 g/h para desempenho
  • 120 g/h melhora função neuromuscular e recuperação de alta intensidade após maratona de trilha; em montanha, 120 g/h reduz dano muscular.
  • Misturas multi-transportáveis (glicose:frutose ~1:0,8–1:1) alcançam altas taxas de oxidação exógena durante exercício prolongado (fluido, gel, chew ou co-ingestão).

Implicação prática: para maratona, 70.3/Full, gran fondo e trail longo: inicie 60–70 g/h e treine o GI para 80–100+ g/h (glicose+frutose). Teste em longões/brick, ajuste sódio e volume. Doses “homeopáticas” (15–30 g/h) não sustentam potência por horas.

Fontes: https://academic.oup.com/edrv/advance-article/doi/10.1210/endrev/bnaf038/8432248?login=false

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4008807/#:~:text=As%20these%20breakthroughs%20and%20their,for%20carbohydrate%20intake%20during%20exercise.

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